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Ateu, Danton Mello fala de papel como médium Zé Arigó: ‘Uma missão’

No “Splash Entrevista” desta semana, Zeca Camargo conversou com o ator Danton Mello, que está em cartaz nos cinemas num papel duplo em “Predestinado”. No filme, Danton interpreta tanto o médium José Arigó, um mineiro de origem simples que incorporou, por 20 anos, como o espírito de um médico alemão chamado Adolph Fritz, por meio de quem realizou milhares de cirurgias espirituais até morrer, num acidente de carro, em 1971.

Danton contou que não foi fácil aceitar este desafio, até por suas crenças pessoais. “Ao longo da adolescência eu me afastei das religiões, virei um cara cético e ateu”, disse. Isso o levou a se perguntar se era a pessoa exata para embarcar no filme, dirigido por Gustavo Fernandez e que também tem no elenco nomes como Juliana Paes, Marco Ricca e Alexandre Borges.

A leitura do roteiro de Jaqueline Vargas (“Sessão de Terapia”) já havia sido difícil. “Quando recebo um roteiro, gosto de me concentrar e ler tudo de uma vez”, explicou. “E este eu não conseguia: li as cinco primeiras e tive uma crise de choro”.

Me questionei se seria capaz de contar essa história. Logo eu, que não acredito nisso? Mas quando terminei de ler, era a história de um homem incrível, com uma mensagem fantástica de generosidade e amor. E encarei como uma missão.

‘Tive medo de soar caricato’

Depois de aceitar a “missão”, Danton mergulhou no universo de Arigó / Fritz para viver dois papéis em um. A preparação incluiu muitos livros e reportagens da época, além de vídeos e conversas com os filhos do médium.

“A gente também fez muita preparação de voz, facial, corporal. Fiquei 40 dias em Minas, sem voltar para o Rio nem nas folgas”, contou.

Seu maior temor era cair no clichê:

Arigó era muito simples, humilde. E quando estava incorporado do Fritz era uma força, um homem bruto, ríspido. Eu me entreguei realmente, e também tive muito medo de soar caricato.

‘Arigó seria amado e odiado da mesma forma hoje’

Apesar do tema espiritual, Danton só encarou o desafio porque em momento algum a história tenta impor religiosidade aos espectadores.

“Não é um filme que te doutrina. Apenas mostra a mediunidade deste homem, que sofreu muito para aceitá-la”, explicou.

Ele nunca entendeu o que acontecia com ele. Quando aceitou, era só um instrumento para as cirurgias de Fritz.

Zeca perguntou para Danton como seria a reação pública a Zé Arigó hoje. O ator imagina que o impacto seria ainda maior.

Hoje tem rede social, internet, acho que teria uma proporção maior. Mas seria amado e odiado da mesma maneira.

‘A essência de toda religião é o amor’

O filme mostra como Arigó sofreu, além da mediunidade, com perseguições. Era um personagem que vendia muitos jornais – e muitas vezes era vítima de sensacionalismo.

Arigó foi perseguido, preso, sempre cercado por muita desconfiança. Ele foi amado e odiado durante os anos em que curou as pessoas.

Um contrassenso, diz o ateu Danton, para qualquer religião:

A essência de toda religião é o amor. Perseguir alguém por sua religiosidade é muito triste. O Arigó sofreu muito com isso. A gente pode conviver muito bem acreditando em coisas diferentes, mas o ser humano é maluco.

Com o filme em cartaz, Danton se diz feliz com o resultado. “Nunca vejo os filmes que faço, sou muito cri-cri. Mas esse já vi algumas vezes e tenho muito orgulho”, disse.



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