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Backer tenta se refazer com novo nome 2 anos após tragédia – 16/04/2022 – Copo Cheio

No início de abril, uma notícia chamou a atenção em especial do setor cervejeiro, a volta da Cervejaria Backer à sua fábrica, em Olhos d’Água, perto de Belo Horizonte. O retorno em si já havia acontecido, quando o rótulo Capitão Senra foi relançado pelos mineiros. No entanto, a produção daquela vez foi cigana, nas instalações da Germânia, no interior de São Paulo.

De volta ao espaço próprio, a marca postou no perfil do Instagram: “A Cervejaria Três Lobos informa que obteve a aprovação para a retomada da produção de cervejas em seu parque industrial. O processo de reabertura contou com o acompanhamento das autoridades e órgãos competentes e observou todos os critérios legais e técnicos (…)”.

Este é apenas o terceiro post visível da cervejaria desde a tragédia do início de 2020, quando algumas dezenas de pessoas foram contaminadas por intoxicação com dietilenoglicol e dez morreram. O inquérito da Polícia Civil indiciou 11 pessoas, entre proprietários e funcionários, por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) e intoxicação alimentícia. O processo corre no Fórum Lafayette, em Belo Horizonte.

No primeiro post, em janeiro de 2020, a marca chamava para um recall, seguindo determinação judicial. E se autointitulava ainda Cervejaria Backer. Em maio de 2021, voltou às redes para dizer que voltaria a comercializar a Capitão Senra “para honrar seus compromissos”. Mas o nome já era outro, Cervejaria Três Lobos Ltda, o mesmo que mantém no post deste mês.

O nome Três Lobos faz parte da história da Backer, e batizava uma boate inaugurada três anos antes da cervejaria, em 1996. Depois foi usado também em uma linha de quatro rótulos que fizeram muito sucesso no mercado artesanal, principalmente em São Paulo, e era encontrada até nos mercados, ao lado das cervejas de larga escala. Hoje também é associado ao uísque produzido pela fábrica.

Pode não parecer nada demais, mas por trás da ação há um claro intuito de diminuir o impacto do nome “Backer” para os consumidores. O perfil do Instagram da Cervejaria Três Lobos já está disponível, e deve ser ativado em breve. O domínio do site cervejariabacker.com.br também foi alterado para Três Lobos.

No site, quando o internauta clica na aba “Sobre”, a mensagem que surge é: “Fundada em 1999, a Cervejaria Três Lobos fabrica as cervejas Capitão Senra, Tommy Gun e Medieval, o gim Lebbos e o uísque Três Lobos”. Sem menção à Backer no enunciado. A linha do tempo traz discretamente a presença da Backer em tópicos sem explicações. Não esconde o fechamento da fábrica, em 2020, mas não explica o motivo. E ressalta a reabertura neste ano.

Entre os produtos no site, são dez rótulos de cerveja, três com o nome Backer (pilsen, trigo e pale ale). Nenhum sinal da Belorizontina, principal cerveja contaminada —o dietilenoglicol foi encontrado também em lotes de outros rótulos, como na Capitão Senra.

Antes da tragédia envolvendo a cervejaria, a Backer era vista como um dos principais “cases” de sucesso entre as artesanais do Brasil. Sua linha de produção já superava a marca de 800 mil litros por mês, depois de uma ampliação em 2018, números de cervejaria grande, muito grande.

Em 2019, o tradicional Festival Brasileiro de Cerveja, em Blumenau, coroou a Backer como a melhor cervejaria de grande porte do país. Em sua volta, a Três Lobos provavelmente sonha com as glórias conquistadas, mas não dá para apagar ou disfarçar a cicatriz deixada pela Backer.


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