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Casemiro e Antony foram para ‘cemitério de brasileiros’

Com o fechamento da janela de transferências nas principais ligas da Europa, a Inglaterra assumiu o protagonismo pelas contratações de impacto e pelos altos valores gastos. No podcast Futebol sem Fronteiras #59, os colunistas Julio Gomes e Rafael Reis, além do correspondente internacional Jamil Chade, mostram como a Premier League se consolidou como a grande estrela do mercado – e com a participação destacada de jogadores brasileiros.

Antony se tornou a grande estrela desta janela. O Manchester United desembolsou 95 milhões de euros ao Ajax para contratar o atacante – o valor pode chegar a 100 milhões de euros de acordo com algumas metas estabelecidas. Ele terá a companhia de outro ex-são-paulino: Casemiro, que deixou o Real Madrid em uma negociação na casa de 70,7 milhões de euros.

Reis fez um alerta sobre os dois jogadores, que vivem a expectativa de disputar a Copa do Mundo. “O mercado foi muito movimentado para brasileiros em ano de Copa, o que é bom e ruim. É sempre um perigo ir para um clube novo a três, quatro meses da Copa. Antony e Casemiro, os dois maiores negócios envolvendo brasileiros, foram para o Manchester United. Pelo histórico, o clube é um ‘cemitério de brasileiros’. Que brasileiro jogou bem lá ao longo da história? É um perigo”, destacou.

Para o colunista do UOL, Gabriel Jesus, que trocou o Manchester City pelo Arsenal, já superou esse risco. “Algumas transferências deram super certo de imediato. É o caso do Gabriel Jesus no Arsenal, o que o deve levar à titularidade da seleção. Pelo que vem jogando, vai ser difícil para o Tite não voltar a considerá-lo como titular”, disse Reis.

Veja o que mais rolou de interessante na opinião dos colunistas do UOL:

Julio Gomes: ‘Clubes ingleses apavoraram o mercado europeu’

Julio Gomes explicou que a atual janela europeia marcou a volta de grandes investimentos em reforços após a retração causada pelos momentos mais críticos da pandemia da covid-19.

“Os clubes da Premier League apavoraram o mercado. Estamos com ‘2019 feelings‘. Antes da pandemia, estávamos com valores bizarros e a classe média com valores exorbitantes de transferência. A pandemia brecou muita coisa, mas estamos chegando lá de novo”, comentou o colunista do UOL.

Para Jamil, o futebol conseguiu se recuperar rapidamente da delicada situação financeira do mundo causada pela pandemia. “A receita dos clubes europeus voltou não só ao que era pré-pandemia, mas já está superior. Você tem um futebol extremamente resiliente às crises. Em 2008, a crise financeira quebrou o mundo e o futebol balançou, mas conseguiu se restabelecer de uma forma sólida. Os grandes clubes estão endividados, mas ainda conseguem fazer essa situação importante de dinheiro”, afirmou.

Metade do todo investimento da Europa está só na Inglaterra

Reis trouxe alguns números para mostrar como os clubes ingleses abocanharam uma fatia ainda maior no mercado da bola. “Em 19/20, na janela pré-pandemia, foram movimentadas pelas cinco maiores ligas da Europa 5,5 bilhões de euros. Na temporada passada, esse mesmo mercado teve 3,1 bilhões de euros. Agora, já estamos em 4,3 bilhões de euros. A questão é que, em 2019, o dinheiro movimentado pela Inglaterra representava só 26,3% dos negócios. Agora, estamos em 49,7%. Das cinco maiores ligas, a Inglaterra é a única que já superou o que investia antes da pandemia”, afirmou.

Para Jamil, dificilmente as outras maiores ligas europeias terão condições de igualar os investimentos feitos pelos ingleses. “Há um domínio ainda maior do Campeonato Inglês. Se pegarmos as quatro outras grandes ligas [França, Alemanha, Itália e Espanha], elas tiveram um ano mais ou menos de recuperação, mas quem deu um salto gigantesco foi a Premier League, estabelecendo-se definitivamente como o torneio mais rico do planeta e jamais atingido. Esse é o novo cenário no futebol internacional”, comentou.

Para se ter uma ideia do poderio inglês no mercado, o Chelsea pagou cerca de 80 milhões de euros ao Leicester pelo zagueiro francês Wesley Fofana, que nunca foi convocado pela seleção de seu país. É a segunda contratação mais cara desta janela, atrás apenas dos 100 milhões de euros desembolsados pelo Manchester United por Antony.

Em valores, os clubes da Premier League gastaram 1,4 bilhão de euros em 19/20 para a contratação de reforços na janela do meio do ano. Em 22/23, o total até o momento já atingiu 2,1 bilhões de euros. E isso sem levar em conta o que os clubes da Championship, a segunda divisão, investiram. Vale destacar que o torneio figura na lista dos dez campeonatos que mais gastam em reforços.

Em outros países, a ordem foi apertar os cintos. “Antes da pandemia, a Espanha gastava 1,4 bilhão de euros; nessa janela está em 460 milhões de euros. A Itália passou de 1,2 bilhão para 750 milhões. Alemanha e França, que antes ficavam a casa de 700 milhões de euros, agora estão em 500 milhões de euros”, ressaltou Reis.

Jamil: ‘Europa está preocupada com desequilíbrio causado pelos ingleses’

Dos dez clubes mais ‘gastões’ neste mercado, oito são ingleses: Chelsea, Manchester United, West Ham, Tottenham, Nottingham Forest, Manchester City, Wolverhampton e Newcastle. Os ‘intrusos’ são Barcelona e Bayern de Munique. Esta disparidade acendeu o alerta na Uefa, que teme a criação de um abismo entre a Inglaterra e os demais países do continente.

“Os europeus estão preocupados com o desequilíbrio. Antes, falava-se em desequilíbrio entre Europa e América do Sul e o resto do mundo. Mas a grande discussão na Uefa hoje é essa: a disparidade dentro da Europa. E não é entre a Premier League e Albânia ou Andorra, mas com Portugal, Holanda, Bélgica, Espanha… O debate sobre desigualdade desembarcou com toda a força na Europa”, destacou Jamil.

Na própria Inglaterra, os altos valores envolvidos também levantaram discussões, como citou Jamil. “Assim como estamos surpresos, os próprios ingleses estão desconfiados desses gastos. Surgiu um debate na Premier League de se colocar um teto de gastos e salários. Se for uma bolha, pode estourar daqui a pouco e todo mundo fica na mão. Seria algo parecido com o fair play financeiro da Uefa. Os clubes só poderiam gastar 70% de suas receitas em salários e transferências”, explicou o correspondente internacional e colunista do UOL.

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Assista à íntegra do podcast Futebol sem Fronteiras #59 logo abaixo:

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