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Chacina no Alemão altera os planos de um oficial – 24/07/2022 – Voltaire de Souza

Massacre. Matança. Tiroteio.

Por sorte, nem sempre a vida de um policial se resume a esses eventos.

O capitão Morretes acendia um cigarro.

–Maravilha. Dessa vez, vai.

Ele mesmo não conseguia acreditar.

–Mas do jeito que está…

Morretes respirou fundo.

–Termina em casamento.

Sim. Aos 38 anos, o oficial descobria sua primeira paixão.

–A Gilvanka. Nunca senti coisa igual.

Flor rara na paisagem suburbana.

Olhos verdes. Sorriso feiticeiro. Cabelos tipo samambaia.

–E recatada. Do lar.

Morretes sonhava.

–Tiro uma licença aqui na polícia…

A manhã se desdobrava em sol na baía da Guanabara.

–Fico um tempo sem matar bandido…

Um sítio? Um hobby? Um filho?

–Já dei minha contribuição à sociedade.

Mais de trinta fuzilamentos em diversas operações.

Morretes pegou o celular.

–Será que ela já acordou?

Não havia resposta.

–Nem no whatsapp, pô.

Ele ficando impaciente.

–Nunca me fez esperar tanto.

Mais de duas horas se passaram.

–Vadia. Vagabunda. Prostituta.

A decisão foi rápida.

–Vou com a viatura até a casa dela.

Infelizmente, a vizinhança já estava cercada.

Era no Complexo do Alemão.

Uma investida policial resultara em quase vinte mortos.

–Cadê os cadáveres?

Não foi preciso procurar muito.

O delicado pé direito de Gilvanka escapava de um lençol.

A tatuagem tinha o valor de um comovido adeus.

–“Morretes. Para sempre”.

O exame balístico provou que o tiro vinha de uma arma policial.

Morretes vê o caso sem sentimentalismo.

–Defendo a corporação acima de tudo.

Sobre Gilvanka, seu julgamento não é o mesmo de antes.

–Vai ver que era vagabunda mesmo.

O amor, por vezes, conquista as mais duras almas.

Mas quem é do time da caveira nunca fica de folga.


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