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Desocupação cai, PIB sobe, mas donos do dinheiro querem saber da eleição – 31/07/2022 – Marcos de Vasconcellos

O noticiário da semana foi sequestrado por duas cartas assinadas, até agora, por centenas de milhares de pessoas, entre as quais personalidades do mercado financeiro e do empresariado, como o presidente do conselho do Itaú, Pedro Moreira Salles; o gestor do fundo Verde, Luis Stuhlberger; o CEO da Magazine Luiza, Frederico Trajano; o presidente da Suzano, Walter Schalka; e José Olympio Pereira, ex-presidente do Credit Suisse no Brasil.

Os documentos dizem ser em defesa da democracia e não citam diretamente o presidente Jair Bolsonaro e suas investidas contra as urnas eletrônicas, mas reclamam de “ataques infundados” e “desacompanhados de provas” questionando a lisura do processo eleitoral. As cartas viraram tema de dez entre dez noticiários nacionais e, claro, incomodaram o Planalto.

Num contra-ataque, o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, resolveu dizer, em sua conta no Twitter, que os manifestos eram assinados por banqueiros porque a criação do Pix teria tirado R$ 40 bilhões deles. A explicação não tem pé nem cabeça. Explico abaixo. Mas foi replicada por Bolsonaro, que se gabou de ter dado uma “paulada” nos bancões com o Pix e com a facilitação da criação dos bancos digitais.

Trata-se de uma bobagem sem tamanho. Os bancos nunca lucraram tanto quanto durante o governo Bolsonaro. Foram R$ 81,6 bilhões em 2021 de lucro, só com Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil. Antes de Bolsonaro, o máximo que tinham conseguido lucrar foi R$ 69 bilhões, em 2018.

Nos últimos 15 anos, sabe quando foi a última vez que os grandes bancos brasileiros tiveram uma queda expressiva no lucro —tirando o evento da pandemia, em 2020? Em 2016. Justamente quando o país passou pela ruptura institucional do impeachment de Dilma Rousseff. Isso não aconteceu nem com a crise do subprime, em 2008 e 2009.

O que banqueiros e empresários estão dizendo, ao assinarem as cartas, é que rupturas institucionais são ruins para os negócios. O Brasil vive de dinheiro estrangeiro e, sem a confiança de que as instituições democráticas serão respeitadas, é muito difícil atrair os donos do dinheiro.

Um levantamento exclusivo publicado no Monitor do Mercado mostra como o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles teve que suar para acalmar os mercados após o impeachment.

Em pouco menos de dois anos à frente da pasta, Meirelles fez 297 voos oficiais a bordo dos jatos da FAB (Força Aérea Brasileira). Cerca de 20% foram em viagens internacionais, atingindo todos os continentes. Nenhum ex-ministro da Fazenda, nem o atual ministro da Economia, Paulo Guedes, teve uma média tão alta de viagens oficiais por mês.

No dia 26, o FMI (Fundo Monetário Internacional) mais do que dobrou a previsão de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro neste ano. Foi de 0,8% para 1,7%. Três dias depois, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que, em junho, tivemos a menor taxa de desocupação desde 2015.

São números a serem comemorados e que tornam a vitrine brasileira cada vez mais atraente para os grandes investidores estrangeiros. Mas isso não será o bastante para trazer dinheiro para o Brasil, sem a garantia de que o resultado das urnas será respeitado. Tanto faz se o eleito for Bolsonaro, Lula ou outro candidato. E os donos do dinheiro sabem disso. O mercado vive de expectativas.


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