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Dicas para convencer seu filho mala que você sempre está com a razão – 10/02/2022

A possibilidade daquele bebezinho fofo que sorri para tudo um dia poder se envolver em um atropelamento e fuga está entre os maiores pesadelos de qualquer mãe. Quando fizerem o documentário sobre as atrocidades cometidas pelo “Enzo”, a primeira pessoa a ser procurada para dar explicações certamente será sua genitora. Diante desse perigo, como garantir que aquele impulso do seu menor de idade para jogar fogos de artifício em cachorros ou roubar iogurtes do mercadinho vai ser abafado antes de virar um traço de caráter?

A verdade é que não existe uma fórmula mágica para garantir que nossos filhos fiquem longe de um programa apresentado pelo MechaDatena de um futuro ainda mais apocalíptico. O que dá para fazer é o melhor, e esperar que o Paulo Coelho esteja certo e o universo conspire. Até porque nem tudo se ensina: você pode até explicar, mas algumas crianças só vão aprender qual a sensação de uma queimadura pondo a mão na porta do forno quente.

Pode não parecer, mas as piores experiências do seu filho pequeno serão as melhores amigas que ele terá no futuro. Eu nunca encostei um dedo no meu filho de 10 anos, primeiro porque eu jamais teria coragem, segundo porque ele é um ser humano racional, desses que tenho certeza que vão acreditar para sempre na terra redonda, e sempre consigo convencê-lo através de argumentos fundamentados. Quando ele não quer escovar os dentes, eu o lembro da vez que ele teve cinco cáries. “Você é quem sabe, ou escova o dente ou toma outras cinco injeções na boca.” Antes do final da frase ele já está no banheiro.

Já na adolescência, o panorama é mais complexo, como podemos ver na esquete dessa semana.

Por mais nojo e desânimo que nos proporcione, é nossa função ajudar nossos filhos a enfrentar essa fase tão difícil em que ficam tarados, sebosos e desproporcionais. A técnica da consequência já não é tão efetiva, pois uma tatuagem na cara pode acabar com algum sonho profissional só muitos anos depois.

A chantagem emocional sempre é uma alternativa. Lembro de um sermão de meu pai quando eu era adolescente, que eu não imaginava quantos quilômetros ele já havia andado à pé só para me comprar um refrigerante. Na época, a imagem dele andando sob o sol intenso, atrás de uma Coca para sua filhinha de dois anos, encolheu meu coração. (Hoje não funcionaria, eu ia achar muita irresponsabilidade dar tanto açúcar e sódio para uma criança tão pequena.)

Com isso em mente, use a pré-adolescência do seu filho para criar uma grande lista de motivos para ele se sentir culpado. Você pode jogar na cara os privilégios que ele tem, como o acesso fácil a pornografia. Conta para ele como era na época em que você só conseguia se masturbar assistindo Lagoa Azul na única TV da casa, escondida embaixo da sua coberta da She-Ha.

Meu conselho final para dominar a arte de criar um ser humano é que você não precisa saber o que está fazendo, só precisa parecer que sabe. Como todos os pais estão perdidos, não vai ser difícil enganá-los. E quando a adolescência chegar, o jeito é ser resiliente e focar lá nos vinte e um anos, quando eles perdem a euforia de viver e viram adultos tristes normais.

*Thatiana Guimarães é roteirista do Porta dos Fundos e mãe do Theo, que está oficialmente na pré-adolescência. No Instagram: @thatisuigeneris



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