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EUA lideram nova peça do quebra-cabeças contra a China – 22/07/2022 – Jaime Spitzcovsky

O multifacetado universo das alianças globais nos planos político, econômico e militar ganhou novo integrante, com denominação a lembrar fórmulas químicas e potencial para influenciar um palco primordial nas disputas por hegemonia no século 21.

Composto por Estados Unidos, Índia, Emirados Árabes Unidos e Israel, o I2U2 pretende ditar rumos na região do Indo-Pacífico, em mais um passo da Casa Branca para conter a ascensão da China, em especial no cenário asiático.

O nome da articulação diplomática se refere às iniciais de seus integrantes em inglês. Mas, para facilitar a comunicação, já carrega o apelido de “Quad da Ásia ocidental”, referência ao grupo a reunir EUA, Índia, Japão e Austrália. Tal quarteto, mais antigo, aponta na mesma direção estratégica: enfrentar a decolagem chinesa.

Há uma miríade de novas articulações no tabuleiro internacional impulsionadas pela transição do mundo unipolar, com reinado absoluto de Washington, para a realidade multipolar, esculpida pelo aumento do peso principalmente da China, mas também pelo protagonismo de Índia, Rússia e União Europeia.

Os EUA se despedem da condição de hiperpotência, expressão popularizada pelo chanceler francês Hubert Védrine, no cargo de 1997 a 2002, a partir da crise financeira de 2008. No governo Barack Obama (2009-2017) despontou a expressão “pivô para Ásia”, sinalizando a prioridade renovada da política externa americana, a China.

O reajuste do foco desfavorece o Oriente Médio, antes ponto nevrálgico de interesses da Casa Branca, devido aos temas petróleo e combate ao terrorismo. Washington desloca recursos políticos, econômicos e militares para cercanias dos oceanos Índico e Pacífico, no aumento de sua presença asiática. No entanto, o presidente Joe Biden se esforçou para mostrar, em meados de julho, a manutenção de envolvimento com o Oriente Médio, ao visitar Israel, Cisjordânia e Arábia Saudita. E um destaque do tour médio-oriental, o I2U2, colocou, mais uma vez, a China em foco.

O I2U2 surgiu no ano passado, mas realizou sua primeira reunião de cúpula a 14 de julho, com Biden e o primeiro-ministro de Israel, Yair Lapid, em Jerusalém, conversando por videoconferência com o indiano Narendra Modi e o emiradense Mohammed Bin Zayed. Na agenda, ênfase para geoeconomia, segurança alimentar e fontes de energia. Prevalecia o desejo de vender a “agenda positiva”, de construir uma imagem de bloco distante de desafios geopolíticos. A sombra dos conflitos, no entanto, não desapareceu.

Há também, sem dúvida, gigantescos interesses econômicos no desenho de uma aliança impensável poucas décadas atrás, quando a Índia se aliava à URSS e Israel e países árabes se encontravam em campos de batalha. Mas a dinâmica do século 21 provocou o rearranjo.

EUA e Israel desejam vender produtos e tecnologias a um mercado emergente como o indiano. O segundo país mais populoso do planeta atua para atrair capital estrangeiro e avançar na industrialização. Entra, na equação, a bonança financeira dos Emirados. A lógica, porém, não é a mesma do maniqueísmo da Guerra Fria. Governos indiano, israelense e emiradense aderem a uma nova aliança com a Casa Branca, mas descartam romper com Pequim, com quem também fazem negócios.

Trata-se de mais um exemplo da crescente complexidade do cenário geopolítico contemporâneo e das estratégias de alguns países de como se posicionar em relação à intensificação da rivalidade sino-americana.


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