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Futebol sem Fronteiras #49: O que há por trás da nova Champions – 12/05/2022

A partir da temporada 2024/25, a Liga dos Campeões terá um novo formato. A Uefa aprovou as mudanças no sistema de disputa do torneio, atendendo a um antigo desejo dos principais clubes do continente, que estavam de olho em maiores receitas e duelos mais atrativos. O modelo, porém, também trará benefícios aos pequenos?

No podcast Futebol sem Fronteiras #49 (ouça na íntegra no episódio acima), o colunista Julio Gomes e o correspondente internacional Jamil Chade debateram sobre as mudanças no formato da Liga dos Campeões e quem mais ganhou com elas – tanto do ponto de vista esportivo como fora das quatro linhas.

Resumidamente, não haverá mais a fase de grupos na Champions. O torneio adotará o “modelo suíço” e com 36 equipes, em vez das atuais 32. No novo formato, cada time disputará oito partidas (quatro em casa e quatro fora). Os oito primeiros colocados se classificam diretamente para as oitavas de final. Quem ficar entre a 9ª e a 24ª posição disputará um mata-mata para definir os demais classificados.

“Tudo isso é para tentar renovar a parte mais excitante e para garantir uma maior audiência. Qual é a ‘pegadinha’ dessa história? Houve uma negociação que levou pelo menos um ano e que foi muito dura. Houve muita pecinha para colocar nesse quebra-cabeça. Uma delas era muito grande: a Superliga, que era uma liga fechada para os grandes ganharem mais dinheiro. A Uefa precisava fazer uma liga com objetivo esportivo, mas também prometer aos grandes que eles ganhariam mais om isso”, explicou Jamil.

Com as quatro novas vagas, Julio mostrou que uma grande liga pode se dar bem e ter um representante a mais. “Duas dessas vagas vão para países cujos clubes tiveram o melhor desempenho relativo nas competições europeias no ano anterior. O que os caras querem: que o quinto inglês, alemão ou espanhol, entre. Hoje, seria um inglês e um holandês. A ideia é que a Premier League tenha cinco clubes, e não quatro”, comentou o colunista do UOL.

O novo formato ainda nem começou a ser usado e já causa discordância, como destacou Jamil. “Fizeram uma simulação e, nos últimos dez anos, se esse sistema já existisse, em seis edições os ingleses pegariam essa vaga. E se os clubes de um país forem bem em todos os anos, este país terá essa vaga sempre. Não há um limite. Os pequenos reclamam que, quanto mais ingleses participarem da Champions, vão somar mais pontos e perpetuando a Inglaterra”, disse.

Para Julio, a ideia foi uma forma de resgatar algum clube importante que fizer uma temporada ruim, como no caso atual do Manchester United. “Eles precisavam encontrar uma maneira de colocar o quinto time inglês. É até aceitável, porque a Premier League realmente gera clubes mais fortes. Poderia ser um convite, o coeficiente dos últimos anos e agora inventaram essa média de pontos conquistados, que pelo menos mantém um olhar esportivo”, disse.

Uma das críticas ao atual formato da Champions é a repetição de duelos desinteressantes na fase de grupos, como frisou Julio. “Eles queriam mais jogos. A fase de grupos, convenhamos, está chata. São grupos de quatro times em que, a cada ano, você falar que esses dois vão se classificar, vai errar apenas um ou outro. Os confrontos também são os mesmos e há essa questão da repetição de jogos. Com o fim da fase de grupos, eles queriam ampliar e variar a quantidade de partidas entre os times grandes, o que era um dos pontos da Superliga. Até março, a ideia era de dez jogos, mas isso não encaixava no calendário e fizeram oito”, apontou.

Além do lado esportivo, Jamil ressaltou que as alterações no formato da Champions também têm um objetivo financeiro. “Cada jogo renderia mais e um número maior de partidas seria disputada. Para os grandes, mais dinheiro; para os pequenos, a ideia de que, mesmo desclassificado na primeira fase, teria uma receita grande apenas por participar. Esse é o pacotão e uma tentativa de agradar às finanças dos grandes e dos pequenos”, completou o correspondente internacional e colunista do UOL.

Ouça o podcast Futebol sem Fronteiras e confira também mais detalhes sobre como serão definidas as partidas da nova Champions League e como este formato atende aos anseios tanto do público global como do local – e, claro, o quanto isso gerará em receitas.

Não perca! Acompanhe os episódios do podcast Futebol sem Fronteiras todas as quintas-feiras às 16h no Canal UOL.

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