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Há algo de estranho no reino do Flamengo

São inegáveis os méritos do Fluminense ao conquistar o título do Carioca. Não só foi o melhor time na primeira fase como foi superior ao Flamengo na maior parte das duas finais. Reinventou-se depois da queda na Libertadores. Dito isso, teve a contribuição de um certo caos rubro-negro.

Esse texto não vai se concentrar nos dois jogos finais. De certa forma, os acertos tricolores – as atuações brilhantes de André, Ganso e Cano – já foram descritas. A desorganização rubro-negra que facilitou o seu trabalho, no entanto, ainda precisa ser explicada.

Ao chegar, o técnico Paulo Sousa decidiu implantar um sistema diferente e complexo. Modificava completamente o que era feito até 2021, em termos de formatos de jogo, do que se pedia de cada jogador. Exigia também um novo tipo de atleta ou de postura daqueles que estavam ali em relação ao jogo.

Era bem natural um período de três meses de adaptação no Estadual. Paulo Sousa, claramente, exagerou nas variações de posições, na velocidade da transição para um novo modelo. Colocou complexidade em cima do que já era difícil.

De início, havia evolução e alguma empolgação do elenco com o aprendizado. Era um caminho lento e instável, com altos e baixos. Houve jogos bons – Atlético-MG e Botafogo – e houve atuações pobres, com os dois jogos contra o Vasco na semifinal. O elenco seguia o padrão e nem sempre dava certo.

Para as finais do Carioca, Sousa teve tempo e decidiu inovar em cima da complexidade – como Marinho na ala esquerda. Foi completamente bloqueado pela retranca do primeiro tempo da decisão inicial do Fla-Flu. Seu sistema apresentava-se ineficaz para atacar um rival fechado. Ao final de três meses, pre-temporada feita, falhava. E a falta de entendimento dos jogadores do esquema é também culpa do treinador.

A partir daí, os jogadores do Flamengo parecem não ter mais acreditado nas ideias o técnico. Não, aqui não está nenhuma acusação de boicote ou algo assim. Mas o time, nos restante das decisões, deixou de seguir os padrões vistos no início da temporada.

Entre as duas finais, o companheiro Léo Burlá noticiou que havia um descompasso entre o elenco e o técnico rubro-negro. Para a segunda decisão, os jogadores não seguiam mais os padrões vistos anteriormente, ruins ou bons. As posições estavam ali, as movimentações coletivas ofensivas e defensivas, não. Se isso ocorria por descrença no sistema ou por outro motivo, não dá para saber porque é impossível interpretar a cabeça de jogadores.

Havia também um excesso de erros técnicos. O Flamengo criou pouquíssimo durante o jogo, salvo lampejos de Arrascaeta. Jogadores de seleção, Everton e Gabigol, ignorados recentemente por Tite, tiveram uma queda de rendimento significativa. Há outros com atuações ainda piores em relação ao que já apresentaram, Arão, Bruno Henrique, Pedro, Matheusinho, Andreas, a lista é longa.

Do lado do campo, Paulo Sousa gritava esbaforido com instruções. Não se sabe se foram seguidas. É certo que seu sistema não tem funcionado, talvez não se encaixe no elenco, talvez precise de mais tempo, talvez não tenha convencido os jogadores.

A má fase de um time de futebol quase nunca é fruto só de um fator, um técnico, um jogador, um dirigente. Só o simplismo pode colocar apenas na conta do técnico. O que dá para perceber é que há algo de estranho no reino rubro-negro. E não há nenhum sinal de que o comando do futebol e do clube façam a menor ideia de qual seja o problema. Talvez a presidência do Flamengo esteja pensando no preço da gasolina.

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