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já quero um disco de sambas tristes de Adele

Se Adele “se inspirou” na melancolia sorridente de Martinho da Vila e “bebeu” dos arranjos de Chico Buarque e Tom Jobim, de 1980, o que mais podemos esperar no futuro da inglesa?

No mínimo, um disco de sambas, certo? Quem sabe um feat. com o ícone Zeca Pagodinho? Talvez até um convite para cantar uma sofrência com Alcione, como bem sugeriu a também colunista do UOL Renata Corrêa?

Consigo até imaginar a capa deste álbum fictício: a cantora sentada ao lado de uma mesa de plástico, copo americano preenchido até a boca com cerveja gelada na mão e acompanhada de músicos brasileiros. Ela sorri para a câmera, enfim, depois de tantas fotos de capa sérias demais.

“35: Coloca mais água do feijão que eu cheguei” seria um título agradável, mas podemos pensar em outras possibilidades.

Se também fosse lançado formato de DVD, tipo o “álbum visual” que está na moda, venderia mais do que garrafinha d’água no congestionamento.

Para agradar os indies e alternativos, Adele poderia fazer uma versão para o Tiny Desk nos moldes do que fez C. Tangana, com os músicos convidados ao redor de uma mesa. Coisa fina.

Seria impecável, sem dúvida.

Mas tudo isso é só uma forma bem-humorada de lidar o dilema shakespeariano e existencialista. Ser ou não ser meme, eis a questão?

Entenda a história do tal plágio

Plágio é coisa séria, mas a internet não. E esta coluna só é séria quando ao assunto demanda. E não é exatamente o caso.

Afinal, meses depois da comparação entre “Million Years Ago” e “Mulheres”, composição de Toninho Geraes – uma história que está sendo levada à justiça e – a internet foi tomada por um “novo plágio” na discografia da cantora inglesa.

O tuíte que gerou o bafafá é esse aqui:

A história sugere que a introdução ao piano de “To Be Loved”, uma das mais bonitas de “30”, o novo álbum de Adele, teria copiado os arranjos de “Eu Te Amo”, composição de Chico Buarque e Tom Jobim.

E por mais que as duas sequências de nota se pareçam, não há nada que sugira um plágio de verdade, conforme garantiu um especialista à coluna.

Convocado às pressas diante da urgência da viralização do assunto, o músico e roteirista Edu Krieger atendeu os pedidos deste colunista de ouvir as versões de Adele e Chico e dar o veredito transcrito abaixo:

“Esse caminho que escutamos na música do Chico Buarque, ‘Eu Te Amo’, é muito utilizado na linguagem do piano. É uma sequência de intervalo de segundas tocados em sequência. Isso acontece em milhares de músicas. Pegaram um exemplo com essa música da Adele para fazer piada. Tecnicamente, não é plágio, é um meme.”
Edu Krieger, roteirista e músico

‘Não é plágio, é meme’

“To Be Loved” é assinada por Adele e o queridinho indie Tobias Jesso Jr., que também produziu a canção ao lado do engenheiro de som Shawn Everett.

Não são os mesmos autores com Adele de “Million Years Ago”, faixa que tem sido seriamente acusada de plágio comparada a “Mulheres”, composta pela cantora e Greg Kurstin.

Se este caso específico de “To Be Loved” é meme, como garante Krieger, permito-me rir da fantasia ou teoria da conspiração de que Adele sempre quisera fazer um álbum de sambas tristes, só não soube como criá-lo vivendo tão distante do Brasil.

Ela teria, portanto, escondido dicas ao longo dos seus trabalhos, só decifradas pelos ávidos tuiteiros brasileiros, melhores que muitos detetives por aí.

Seria a inspiração para compor “I Drink Wine”, outra ótima música do novo disco, o clássico “Eu Bebo Sim”, cantado por Elizeth Cardoso?

Imagine Adele, em voz e piano, mostrando molejo em “Camarão que Dorme a Onda Leva” em um dueto com Zeca Pagodinho. E também em uma interpretação entregue de “Você Me Vira a Cabeça (Me Tira do Sério)”, na companhia de Alcione.

Ouviria um disco de sambas de Adele feliz (ou triste) da vida. Você não?

Acorde-me quando isso acontecer. Até lá, dou por mim o assunto por encerrado.

Você pode reclamar comigo aqui, no Instagram (@poantunes), no Twitter (também @poantunes) ou no TikTok (@poantunes, evidentemente).



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