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‘Muitos nos aplaudem e muitos nos engolem’

Solange Couto e Juliana Alves não escondem de ninguém o orgulho de seu mais recente trabalho, “Barba, Cabelo & Bigode”. O filme ficou no Top 10 Global da Netflix logo após a estreia na plataforma, mas o que mais deixa as atrizes contentes é que isso tenha acontecido num filme que imprime representatividade em todos os frames.

No “Splash Entrevista” desta semana, elas reafirmaram para Zeca Camargo sua alegria por participar desta produção majoritariamente negra – e livre de estereótipos. “É um filme de pessoas pretas, da comunidade, simples”, explicou Solange Gomes.

“O roteiro representa uma família como ela é, que fica feliz, triste, que sofre e luta, que tem amor, respeito e carinho – e em nenhum momento fala de violência”, disse. No longa, Lucas Koka Penteado – que, como Juliana Alves e o diretor Rodrigo França, é ex-‘BBB‘ – é Richardsson, que tenta descobrir o que fazer da vida enquanto brilha como cabeleireiro no salão de sua mãe (Solange Couto) na Penha, Zona Norte do Rio.

O filme não tem a marginalidade que a sociedade está habituada a ligar às pessoas negras e às pessoas pobres.

O elenco é uma atração à parte, com nomes como como Rebecca, MV Bill, MC Carol, Yuri Marçal, Sérgio Loroza, Neusa Borges, Luana Xavier e Nando Cunha. O roteiro é de Anderson França, Silvio Guindane e Marcelo Andrade. “Fico emocionada com a reunião desse elenco e com a grande realização, pra nossa cultura, que é este filme”, festejou Juliana.

Conseguimos reunir talentos tão especiais e uma equipe tão preta, e mostramos de forma emblemática que as pessoas que compõem este filme podem estar espalhadas em produções de todo o Brasil, o ano inteiro.

‘Ponha o seu nariz na sua cara’

Para a atriz, o sucesso do filme é mais do que merecido. Mas ela sabe que a existência de uma produção como essa não seria possível sem o esforço das gerações mais antigas de artistas negros – entre eles, a própria Solange. “Ela é um farol. Solange sempre nos mostrou que é possível mostrar talento sem ficar limitada na carreira”, disse Juliana. “Para mim, uma das coisas mais importantes de fazer este filme foi realizar o sonho de trabalhar com essa mulher.”

Já Solange relembrou da luta permanente na carreira, e de aprendizados que teve com seu pai e com o apresentador e empresário Oswaldo Sargentelli, com quem começou a carreira, nos anos 1970, como dançarina. “Eles sempre me diziam: ‘Ponha o seu nariz na sua cara’.”

Ao longo da minha carreira tive que brigar muito para não estar fantasiada em cena, sem caricatura.

Hoje, as coisas já são bem melhores para artistas negros no Brasil – o sucesso de filmes como “Medida Provisória” e “Marte 1” atestam isso. E é um caminho sem volta, avisou Juliana.

A sociedade entendeu que não dá pra dar mais um passo à frente sem que toda a sociedade brasileira esteja representada. E as empresas percebem que a diversidade é lucrativa, é um sinal de sucesso.

Solange concordou – e também mandou seu recado, sem meias palavras.

A gente conta tem talento, beleza, sabedoria, educação, elegância. A gente está abrindo o braço, quem quiser que engula. Não tenho mais parcimônia pra falar, não. Muitos nos aplaudem, e muitos nos engolem. Estou bem aqui pra assistir e participar – e, se puder, vou na frente puxando o cordão.



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