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O ódio que mata: do Vale do Javari a Foz do Iguaçu, vítimas do bolsonarismo – 16/07/2022

O que leva alguém a não só matar, mas esquartejar e incinerar os corpos de dois homens pacíficos, que se dedicavam à proteção dos povos indígenas, cada um no seu ofício?

O que leva alguém a entrar atirando, tarde da noite, na festa de um desconhecido, que comemorava seu aniversário com amigos e parentes num salão enfeitado com as cores de seu partido político?

Só muito ódio, alimentado pelos pregadores de uma fanática seita político-religiosa-miliciano-militar, pode explicar as recentes tragédias que comoveram o país, deixando pelo caminho viúvas e órfãos, e um sentimento generalizado de medo, tristeza e impotência

Na selva ou na cidade, do Vale do Javari, na fronteira norte da Amazônia, à Foz do Iguaçu, na fronteira sul, o Brasil virou palco de um bangue-bangue fraticida como nunca se viu antes. Escreveu, não leu, morreu. A ordem agora é eliminar os inimigos, cortar o mal pela raiz, em nome das “pessoas de bem”. A vida dos outros não vale mais nada.

Este era o resultado previsível da onda armamentista que assolou o país nos últimos anos, com o liberou geral de trabucos e munições, como foi prometido na campanha presidencial de 2018.

Em lugar de escolas e bibliotecas, multiplicaram-se os clubes de tiro e as licenças para matar. Até aquele sinistro da Educação, um pastor, imaginem, andava armado em aeroporto. Tudo em nome de Deus, da Pátria e da Família, é claro.

O que deixamos fazer com o Brasil? Quanto tempo vai levar para reerguer o país das ruínas, se é que essa tragédia ciclópica acaba em outubro?

Como vamos reconquistar a soberania da Amazônia, hoje entregue à ação de bandoleiros daqui e de fora, matando a floresta para saquear peixes, ouro e madeira, no embalo do tráfico de drogas, se os nossos militares agora estão dedicados apenas a infernizar a vida da Justiça Eleitoral, a serviço das taras do capitão, como se fossem especialistas em urnas eletrônicas?

Nenhum país estrangeiro inimigo do Brasil, que não temos, seria capaz de tamanha obra de destruição, em tão pouco tempo, uma verdadeira guerra de extermínio, para não deixar pedra sobre pedra nas instituições e no patrimônio nacional, rifado a preço de banana para cobrir os rombos do orçamento secreto.

Só falta agora, para completar a obra, melar as eleições, se a chuva de dinheiro para comprar votos não der o resultado esperado.

Nós não temos nem ideia do tamanho do estrago que já foi perpetrado na educação, na saúde, no meio ambiente, nas relações internacionais e na autoestima do povo brasileiro, chafurdando no lixo para não morrer de fome.

No Judiciário, nas polícias, até nas universidades e na cultura, em toda parte, a seita do bolsonarismo se espraiou como como uma praga, mais letal do que o coronavírus e a guerra na Ucrânia. Ainda são minoria, mas, segundo as pesquisas, o que assusta é que chegam a um terço da população. Dá para acreditar nisso?

O sempre sorridente assediador da Caixa; a conspícua delegada de Foz do Iguaçu, que não viu crime político, só uma desavença; o cínico vice, general Mourão, que só enxergou uma rixa de bêbados; o líder da seita que não se vexa de transformar vítima em culpado para tirar o dele da reta: são todos personagens do mesmo filme de terror deste ódio que mata, sem piedade.

Sim, bolsonarismo mata.

Vida que segue



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