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Polícia mata petista de novo ao chamar crime político por outro nome

A Polícia Civil do Paraná não apontou crime político no crime político cometido pelo bolsonarista Jorge Guaranho contra o petista Marcelo Arruda, assassinado na noite de sábado (9), em Foz do Iguaçu. A conclusão, que bate de frente com evidências, em um processo feito em curto espaço de tempo, não ajuda a elucidar o caso, servindo apenas para colocar o trabalho policial sob desconfiança.

Ele será indiciado por homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e por causar perigo a outras pessoas. A delegada Camila Cecconello, chefe da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa, responsável pela investigação, disse que não há provas de que ele cometeu o crime por razões políticas. Para ela, Guaranho foi ao local por motivação política para “provocar”, mas não matou por causa disso, e sim porque “se mostrou ofendido pelo acirramento da discussão”.

A delegada apontou que ninguém foi impedido de exercer seus direitos políticos. Mas a invasão e o assassinato interromperam sim um evento em que Arruda exercia seu direito à livre expressão política. Vale lembrar que o que originou tudo não foi sobre uma frente fria que chegava a Foz do Iguaçu, sobre o uso de açúcar ou adoçante no cafezinho, sobre Atlético Paranaense ser melhor que o Coritiba, sobre as cataratas serem mais bonitas do lado argentino ou brasileiro, mas o aniversariante fazer um evento com temática petista.

Guaranho resolveu ir ao local depois que ficou sabendo que havia uma celebração de aniversário com temática petista e homenagem ao presidente Lula enquanto participava de um churrasco com amigos do futebol. Uma pessoa que monitorava as dependências do clube através de um aplicativo de segurança no celular mostrou as imagens a ele. Ou seja, foi com más intenções.

Chegando lá, provocou o dono da festa com palavras de ordem bolsonaristas. Arruda, irritado, jogou um punhado de terra nele. Guaranho já estava armado e, segundo testemunhas, saiu prometendo acabar com todos. “Aqui é Bolsonaro”, chegou a dizer. Deixou a esposa e o filho e retornou para executar a promessa. Apesar do petista, guarda municipal, e da esposa, policial civil, se identificarem como tais e mandarem abaixarem a arma, o bolsonarista atirou várias vezes em Arruda.

Familiares da vítima reclamam que o inquérito foi feito de forma apressada, chegando a uma interpretação dos fatos que ignora as evidências e que deram muito peso para o depoimento da esposa do agressor. Discordam e apontam que o crime foi político e premeditado.

Pressa semelhante em um inquérito aconteceu recentemente quando a Polícia Federal indicou que a morte do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips não teria mandantes, afirmando que estariam desconectadas de algo maior após pouquíssimo tempo de investigação – o que levou a críticas dentro e fora do país.

E, infelizmente, este não é o único caso em que um inquérito acaba com uma interpretação que se afasta dos fatos. Que o digam as investigações policiais que apontam que apesar de uma mulher ter sido morta pelo fato de ser mulher, ela não foi alvo de feminicídio, mas de homicídio simples.

O que mostra a facilidade com a qual uma vítima é agredida duas vezes no Brasil: na hora de sua morte e no momento em que declaram as razões do crime. Pois se a questão é uma discussão, Arruda acaba sendo considerado corresponsável pela situação que levou a seu assassinato. E a defesa de Guaranho vai poder justificar que ele reagiu por forte emoção, caso sobreviva ao hospital.

E se o contexto não importa, Arruda, Bruno e Dom morreram por azar.

Desde o assassinato do guarda municipal, o presidente Jair Bolsonaro e o vice-Hamilton Mourão atuaram para desmerecer a gravidade do caso. Tentam convencer uma parcela da população de que foi um crime comum, jogando ainda mais gasolina nas eleições de outubro.

Preocupado com o impacto do caso para a sua imagem, Bolsonaro tem dado declarações para encobrir que Guaranho reproduzia a sua retórica intolerante quanto a adversários. Em sua conta do Facebook, por exemplo, o assassino ecoava Bolsonaro em dezenas de postagens, chegando a afirmar que o Brasil precisa de uma “limpeza” dos petistas.

A Polícia Civil não visitou as redes sociais do agente penitenciário? Elas são abertas ao público.

Comentando a tragédia em Foz do Iguaçu, Mourão tentou minimizá-la. “Olha, é um evento lamentável, né? Ocorre em todo final de semana, em todas as cidades do Brasil, de gente que provavelmente bebe e aí extravasa as coisas, né?”, disse a jornalistas.

Isso não está distante do que disse a delegada Cecconello: “Parece algo que virou pessoal entre duas pessoas que discutiram por motivações políticas”. Ou seja, ela equiparou o caso a uma briga de trânsito.

Ou seja, em todo final de semana alguém fica sabendo que tem uma festa de aniversário fechada com temática petista, invade a celebração, começa a brigar com o aniversariante por política, ameaça acabar com todos os presentes, depois volta para matar?

O caso é muito grave e se não for tratado da forma correta pode servir para fomentar outros crimes no período eleitoral, considerando que milhões estão inseridos no ambiente tóxico em que estava submetido o bolsonarista.

Para que não pairem dúvidas de que a polícia não serve a uma ideologia política específica, ela precisa dar uma resposta melhor à sociedade do que dizer que uma maçã é uma tangerina.



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