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Racha pode desperdiçar mais uma vez a chance de transformar o futebol do Brasil – 05/05/2022 – PVC

O racha entre oito clubes que assinaram o estatuto da nova Liga Brasileira (LIBRA) e os 14 restantes da Série A, descontentes com a pressa da reunião marcada para a terça-feira (3), pode desperdiçar mais uma vez a chance de transformar o futebol do Brasil.

A justificativa para a pressa, argumento do Flamengo e dos cinco clubes paulistas, liderados pelo presidente da Federação, Reinaldo Carneiro Bastos, é que não se pode esperar mais tempo.

De fato, existe um “agora ou nunca.” Não dá para passar mais uma década assistindo às crianças daqui vestindo camisas de times europeus e repetindo o clichê: “É outro esporte”.

O esporte é o mesmo. Os dirigentes é que são diferentes.

Por outro lado, é preciso haver consenso entre os 40 clubes das Séries A e B. Obrigatório partir de princípios empresariais. Qual liga dá mais certo no mundo? A Premier League! Como é a divisão do dinheiro? Metade do valor é dividido igualmente, 25% por desempenho e 25% por visibilidade.

Se esse modelo produz a menor diferença entre o primeiro e o último em arrecadação e resulta no melhor campeonato do planeta, qual o problema de copiar?

Por que a gula de abocanhar 10% do valor igualitário e dividir só 40% do dinheiro entre todos?

E por que assinar já com o grupo Codajás, representado pelo advogado Flávio Zveiter? Não é preciso acreditar no velho diga-me com quem andas e te direi quem és. Mas o sobrenome Zveiter foi gasto por seu pai e tio e por anos de decisões discutíveis dos surrados tribunais de Justiça Desportiva.

A liga precisa ser dirigida por executivos profissionais, seu estatuto tem de privilegiar o crescimento do produto, mirar quanto o Brasileirão pode valer em dez anos, associar-se a um grupo que traga um investidor capaz de injetar mais de R$ 2 bilhões, por 20% do total.

Não adianta copiar a Inglaterra apenas no nome de sua moeda, LIBRA, e cair na real na primeira reunião rachada. Os 40 clubes das Séries A e B querem iniciar uma nova era. Para isso, não pode nascer um novo cartório, como foi o Clube dos Treze.

Inevitável não lembrar o falecido Eduardo José Farah. Em sua sala na velha sede da Federação Paulista, na avenida Brigadeiro Luís Antônio, centro de São Paulo, Farah recebia jornalistas e mostrava o livro “História do Futebol no Brasil”, de Thomaz Mazzoni.

Farah abria em páginas marcadas e dizia: “Olha aqui, vocês dizem que as ligas são a solução, e Mazzoni mostra a divisão de várias ligas na década de 1930. Era uma confusão desgraçada”. Farah pegava a divisão entre amadores e profissionais e tentava confundir a realidade.

Pois foi o próprio Farah quem criou a Liga Rio-São Paulo, anos mais tarde.

Deu em nada.

Porque o xis da questão é o profissionalismo. Na Itália, a liga transformou ouro em lixo, e a Série A se tornou o quinto campeonato da Europa em interesse. Profissional, a Premier League é um modelo de modernidade.

Nasceu da revolta de Manchester United, Liverpool, Tottenham, Arsenal e Everton, os cinco grandes da época, em 1991. Eles romperam com a velha liga e construíram um novo modelo. Associaram-se à Sky Sports, subiram o dinheiro de investidores e canais de televisão e começaram em 1992 a construir o atual modelo de sucesso. Levou tempo e trabalho.

Talvez seja impossível haver coesão. Mas é preciso haver liderança, honestidade e visão empresarial. Não pode ser apenas uma nova maneira de pilhar o futebol do Brasil.

Se não der certo desta vez, não vai dar tempo para funcionar nunca mais.


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