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Racismo estrutural: médica faz alerta para mulheres no combate

Enquanto a SpaceX, empresa de foguetes de Elon Musk, convocou a astronauta Jessica Watikins para integrar a tripulação rumo à Estação Espacial Internacional (ISS), se tornando a primeira mulher negra em uma missão de longo prazo, no Brasil mulheres ainda são discriminadas.

“O meio médico ainda discrimina mulheres e negras em pleno século 21”. A afirmação é da médica anestesista Carla Nascimento, que luta diariamente para vencer não só o racismo estrutural como a discriminação pelo gênero.

Carla conta que sofre preconceito desde quando era estudante. Já nos bancos acadêmicos, não acreditavam que ela fazia faculdade pública de Medicina. Mas Carla prestou vestibular somente para as instituições públicas, em um total de 4, passando em todas.

Hoje, coleciona residência médica em Anestesiologia (especialidade que é uma de suas paixões), com títulos pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia – SBA – e pela Associação Médica Brasileira – AMIB, além de pós-graduação em Medicina Estética e Dermatologia.

“Dos professores, ouvi que eu era bonita demais para fazer Medicina. Acho que eles relacionavam que mulher bonita não poderia ter intelecto suficiente para ser profissional da saúde”, pontua.

Discriminação racial nos serviços de saúde

Carla Nascimento se recorda que já foi questionada enquanto preparava uma paciente para a cirurgia. “Ela me perguntou em que momento seria atendida pela médica. Em outra ocasião, ainda na faculdade, enquanto fazia plantão geral, fui perguntada se eu era de todas as áreas da saúde. No final, questionei a pessoa o que sobrava para mim e aí ela se tocou e pediu desculpa”, relata.

“Então, tanto o racismo como o sexismo, são muito comuns na área da Medicina; além de ser nova, ser mulher e ser negra. Muitas vezes foi colocado à prova não só minha posição no local como qualidade profissional”, afirma.

Desrespeitada por pacientes e colegas de trabalho

Recentemente, Carla Nascimento esqueceu os óculos no hospital em que trabalha e retornou para buscá-los, sofrendo preconceito do colega de trabalho. “Um rapaz da segurança me solicitou que entrasse pela garagem, pois somente os médicos poderiam usar a entrada principal”, detalha.

Racismo estrutural: como combatê-lo?

A saída, segundo a anestesista, é impor-se diariamente: “Até hoje acontecem situações desse tipo. Tive de aprender a me impor em um ambiente onde a grande maioria dos profissionais médicos é homem e existem poucos negros, mas aprendi a me colocar de maneira adequada e exigir respeito, que é o mesmo que dou para as pessoas”.

E nesse exercício diário, Carla vai vencendo com sua capacidade profissional. “As pessoas acabam só reconhecendo meu valor depois que são atendidas por mim. O triste é ver que em 2022, ou seja, 20 anos depois de formada, as mesmas coisas continuam acontecendo”, lamenta.

“Mas sigo provando que capacidade não tem a ver com idade, sexo nem com raça. Pelo contrário, as mulheres estão em todos os lugares e têm total capacidade de exercer qualquer função. O preconceito existe, é real, continua forte e em algumas situações mais evidentes que em outras”, conclui.



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