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Relatório aprova malha de ciclovias de SP – 22/06/2022 – Ciclocosmo

A malha cicloviária de São Paulo tem 81% da sua estrutura em boas condições, aponta o relatório Auditoria Cidadã 2022, que pretende auxiliar a prefeitura nos cronogramas de manutenção e ampliação da rede de ciclofaixas e ciclovias da cidade.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB), porém, prevê implantar menos da metade das estruturas previstas no Plano Cicloviário do município para a sua gestão.

A pesquisa, uma iniciativa da Associação Ciclocidade, teve o apoio da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e da Secretaria de Mobilidade e Trânsito e contou com a participação de 11 ciclistas que se dividiram para vistoriar os 699,2 km de caminhos para bicicletas existentes na cidade.

Foram examinados quatro itens: condições do pavimento, pintura, sinalização e elementos de proteção.

Após avaliação, 19% da malha foram reprovados pelo relatório. O documento faz uma separação por nível de gravidade das falhas: 12% correspondem a estruturas que precisam de manutenção em parte dos itens examinados e 5% requerem requalificação imediata de todos ou quase todos os itens examinados, colocando os ciclistas em risco.

Os outros 2% são estruturas inexistentes — completamente apagadas ou que constam no mapa oficial mas ainda não foram implantadas.

Os defeitos se espalham por todo o município, mas a região periférica é a mais prejudicada. Além das falhas de conexão entre os trechos, faltam paraciclos (vagas de bicicletas) e acumulam-se problemas estruturais nos bairros mais afastados.

Na zona leste, a ciclofaixa da avenida dos Metalúrgicos está apagada há mais de um ano. Em reportagem publicada na Folha em 18 de agosto de 2021, a prefeitura se manifestou com o compromisso de reimplantar a estrutura e implantar a conexão da ciclovia da Radial Leste com a região central ainda naquele semestre. Até hoje, nenhum dos dois ocorreu.

O arquiteto Felipe Claros é ciclista e conhece bem a região. “A zona leste fora do centro expandido ainda não possui conexões com o centro. A implantação da ciclovia no viaduto Bresser será a primeira, apesar de não ser linear nem intuitiva”, diz.

Segundo o relatório, trechos da avenida Inajar de Souza (zona norte), da Roberto Marinho (zona sul) e do entorno da Raposo Tavares (zona oeste) também fazem parte dos 2% que constam no mapa da CET mas que nunca foram implantados.

No centro, a esquina da avenida São João com a rua Vitória consta no mapa oficial como via com ciclofaixa, mas a estrutura de lá também não existe. A falha pode ter contribuído para a morte de um ciclista entregador, que, no dia 16 de maio, foi atropelado por um caminhão enquanto pedalava.

Outra morte de ciclista em trecho sem proteção cicloviária aconteceu na sexta-feira (17). Kelly Pinto da Silva, 31, foi atropelada por dois carros na ponte do Jaguaré (zona oeste).

Em locais onde a estrutura é considerada boa pelo estudo, um problema evidente é a disputa por espaço entre bicicletas e outros veículos.

Quase todos os dias, por volta das 12h30, uma enorme fila de carros se forma sobre a ciclovia da rua Itápolis (região central). São pais e motoristas de alunos da escola Carlitos que não encontram outro lugar para estacionar.

“Não tem outro jeito, além disso não acho legal andar de bicicleta em São Paulo”, disse a empresária Karen Martins, mãe de aluno, enquanto estacionava sobre a ciclofaixa.

A reclamação sobre espaço é comum entre motoristas e ciclistas e se repete por toda a cidade. Mas no Jardim Helena, na zona leste, a situação se inverte. “Aqui no bairro é uma questão de economia, todo mundo vem para escola de bicicleta”, disse o ajudante geral Wellington Gomes enquanto desembarcava seu filho da garupa de sua bicicleta.

Na opinião de Flávio Soares de Freitas, pesquisador da Ciclocidade e coordenador do Auditoria Cidadã, a decisão da prefeitura de não acompanhar as metas do Plano Cicloviário está desalinhada aos objetivos de garantir a segurança no trânsito, diminuir as desigualdades e aumentar a participação da bicicleta na cidade.

Enquanto o plano oficial coloca como meta ter 1.350 km de malha até 2024, o que exigiria a implantação de 650,8 km de novas estruturas pela atual gestão, o Programa de Metas 2021-2024, assinado por Nunes, prevê a implantação de apenas 300 km de ciclovias ou ciclofaixas.

Com a nova decisão, ficam também comprometidas as metas previstas para a próxima gestão —completar 1.800 km até 2028— e as metas de outras importantes diretrizes baseadas no Plano Cicloviário.

O Plano de Segurança Viária, que determina a redução de mortes de ciclistas em 50% até 2028, e o Plano de Ação Climática, que prevê quintuplicar as viagens de bicicleta até 2030, são alguns programas que podem sofrer prejuízos.

Questionado sobre a diferença entre as metas da gestão e as do Plano Cicloviário, o secretário de mobilidade e trânsito, Ricardo Teixeira, disse que segue os projetos do atual governo. “Acabando o governo Ricardo Nunes, em 2024, a cidade tem um plano cicloviário de 1.000 km. Aí tem mais quatro anos de [outro] governo, aí vai para 2028, aí vai para 1.800 km.”

Segundo a prefeitura, uma ciclovia para a ponte do Jaguaré faz parte do Programa de Metas e já teve seu projeto aprovado. Outras seis transposições sobre pontes também serão implantadas em breve —duas na zona oeste, três na zona norte e uma na zona leste.

Sobre viadutos, a prefeitura já concluiu os projetos de 11 transposições, que também serão implantadas nos próximos meses —quatro na zona leste, três na zona oeste, três na zona sul e uma no centro.

Ainda assim, a gestão fica longe de várias metas do Plano Cicloviário. Uma delas prevê a construção de dez pontes de uso exclusivo de ciclistas e pedestres até 2024, mas a prefeitura promete fazer uma só.

Outro programa municipal para a área que ainda não foi colocado em prática é o Bike SP. De acordo com o texto desta lei de 2016, o município deve criar um sistema que recompensa financeiramente o trabalhador que optar pelos deslocamentos em bicicleta.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo justificou o atraso: “Os estudos para regulamentação da lei estão em execução”.


Esta foi a primeira de uma série de 6 reportagens sobre a estrutura cicloviária de São Paulo. Nos próximos 5 domingos, o Ciclocosmo abordará as características particulares de cada região da cidade —centro, norte, sul, leste e oeste. Fique atento!

Todos os deslocamentos para a apuração desta matéria foram feitos em bicicleta.

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