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Risco Brasil atinge mesmo patamar de crises passadas e afeta investimentos – 17/07/2022 – De Grão em Grão

A alta recente do risco Brasil se refletiu nos diversos investimentos e fez com que renda fixa e renda variável apresentassem retornos negativos nos últimos meses. Motivos não faltam para justificar a elevação deste risco. A grande dúvida é se este é o momento para aproveitar ou se ainda pode piorar.

Como o risco país pode ser medido?

O risco país pode ser medido pelo contrato de derivativo chamado de Credit Default Swap, mais conhecido pela sua sigla CDS.

O CDS pode ser comparado ao prêmio de seguro que você paga em seu automóvel. Por exemplo, se você tem um carro de R$ 100 mil, possivelmente paga um prêmio de cerca de R$ 4 mil para se proteger caso algo ocorra com seu carro. Portanto, paga 4% do valor do carro por ano, para ter a proteção.

O CDS do Brasil de 10 anos está hoje em 422 pontos. Na linguagem de mercado 100 pontos base equivalem a 1%. Assim, um investidor que deseje proteger US$ 100 milhões em títulos brasileiros de um evento de crédito, paga anualmente 4,22% deste valor para ter esta proteção.

O gráfico abaixo apresenta a evolução do CDS do Brasil desde 2007. Perceba que o patamar de 400 pontos só foi atingido em quatro momentos neste período de 15 anos.

Duas destas crises foram por motivos externos. Em 2008, houve a grande crise financeira global devido as hipotecas e em 2020 houve a pandemia.

Nos outros dois momentos, fatores internos foram os dominantes. O ano de 2018 foi a última eleição presidencial e entre 2015 e 2016 foi o momento do último impeachment presidencial.

Neste momento, há um misto de fatores internos e externos provocando a alta do risco.

Como o risco afeta os investimentos?

O prêmio de risco que investidores pagam para se proteger de perdas por evento de crédito é incorporado na taxa de juros.

Embora o CDS seja um instrumento de proteção de Bonds brasileiros, ou seja, títulos brasileiros emitidos no exterior, a precificação dos títulos no mercado interno também reflete este risco.

Portanto, quanto maior o risco, mais as taxas de juros sobem.

No gráfico acima é possível visualizar este efeito. O gráfico mostra a evolução do CDS (linha laranja) e da taxa de juros de 10 anos brasileira (linha branca).

Esse efeito penalizou investidores de títulos de renda fixa no Brasil. Quem investiu em títulos referenciados ao IPCA com mais de cinco anos de vencimento sentiu isso.

O índice que acompanha o retorno da média dos títulos públicos federais, os títulos do Tesouro, com vencimento maior que cinco anos é calculado pela Anbima e se chama IMAB5+.

O IMAB5+ rendeu apenas 4% nos últimos três anos. O gráfico abaixo apresenta a evolução deste índice.

Taxas de juros mais altas também afetam todos os investimentos de risco.

Como afirmou Rodrigo Azevedo, CIO da gestora Ibiuna, em apresentação recente, os ativos brasileiros parecem baratos, mas podem ficar ainda mais.

Como vimos, o risco país se encontra em patamar similar ao de crises passadas. Quem investiu nestes momentos no passado, foi premiado em horizontes de cinco anos à frente.

No entanto, como explicou Azevedo, o risco pode se elevar ainda mais, como ocorreu em 2015. Assim, para se beneficiar desse prêmio, o investidor vai precisar ter bastante sangue frio para suportar a volatilidade e perdas de curto prazo.

Michael Viriato é assessor de investimentos e sócio fundador da Casa do Investidor

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