Sports

Satélite Gaia traça caminho para mapear passado e futuro do Sol – 14/08/2022 – Mensageiro Sideral

Sempre que o assunto são resultados do satélite Gaia, da ESA (Agência Espacial Europeia), é difícil não se encantar. Em meio a sua enorme base de dados, um grupo de astrônomos acaba de estabelecer um caminho para determinar com grande precisão o destino completo do Sol, do nascimento à morte.

Sim, estrelas nascem e morrem, e o mesmo se dá com o Sol, estrela que mora no coração do nosso sistema planetário. Sabemos que ele tem 4,57 bilhões de anos (informação que podemos obter a partir da análise de meteoritos, em boa parte originários da mesma nebulosa que deu origem ao resto do Sistema Solar). Mas como é possível projetar seu passado e seu futuro? Ele muda com o tempo?

Essa história já está razoavelmente mapeada, e o segredo para desvendá-la é buscar estrelas que são em tudo similares ao Sol, mas têm idades diferentes. É o mais perto que os astrônomos podem chegar de obter um álbum de fotografias com a história completa do nosso astro-rei.

Onde o Gaia entra nisso? Fornecendo toneladas de “fotos”, numa escala sem precedentes. Garimpando os dados do satélite (que já contêm as propriedades básicas de centenas de milhões de estrelas na nossa galáxia, a Via Láctea), o grupo liderado por Orlah Creevey, do Observatório de Côte d’Azur, na França, fez um recorte para selecionar apenas as que têm massa e composição química similar à do Sol, mas as mais variadas idades. Nessa peneirada, terminaram com 5.863 estrelas.

É isto: o Gaia produziu uma lista de quase 6.000 estrelas que são “análogos solares”, astros que, ao menos em alguns parâmetros básicos, são tão parecidos com o Sol quanto possível (não chegam a ser todas elas “gêmeas solares”, virtualmente indistinguíveis da nossa estrela, mas decerto há várias delas no grupo).

E aí passado e futuro se desenham sozinhos. Começando com uma temperatura superficial mais baixa que a atual, o Sol vem gradualmente aumentando de temperatura com o passar dos bilhões de anos. Em algum ponto ao redor dos seus 8 bilhões, essa tendência vai se inverter: ela passará a esfriar, enquanto incha e continua a aumentar de brilho, até, aos 11 bilhões de anos, se tornar uma gigante vermelha, com mais de 100 vezes o diâmetro atual (nesse processo, engolirá Mercúrio, Vênus e a Terra). Por fim, quando a capacidade de gerar energia interna se esgotar, o Sol ejetará suas camadas exteriores e restará apenas um núcleo ultradenso em resfriamento, cadáver que os astrônomos chamam de anã branca.

A principal contribuição do Gaia, para além dessa história, está nos detalhes que a identificação de milhares de estrelas análogas podem revelar. Todas têm sistemas planetários? São parecidos com o nosso? E sua rotação, é igual? De posse da lista de alvos, os astrônomos poderão olhar cada uma delas com especial atenção e desvendar o que há em comum e diverso entre todas as estrelas de tipo solar.

Esta coluna é publicada às segundas-feiras, na Folha Corrida.

Siga o Mensageiro Sideral no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar cinco acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.



Source link

Leave a Reply

Your email address will not be published.