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Startups de impacto entram na mira de grandes empresas – 10/05/2022 – Rede Social

Uma série de aquisições de startups que se destacam por inovações em saúde, educação e ambiente movimentou o mercado de impacto socioambiental, envolvendo transações que vão de R$ 30 milhões a R$ 150 milhões.

“São movimentações relevantes que comprovam ser possível ter uma empresa lucrativa, capaz de faturar milhões e atrair capital, ao mesmo tempo que soluciona desafios sociais e ambientais”, afirma Gabriela Bonotti, sócia do Quintessa, que desde 2009 acelera negócios de impacto no país.

Do portfólio da aceleradora, ela lista cinco transações no último ano. A mais recentes delas foi a da Vitalk, healthtech de saúde mental, adquirida pela Gympass, gigante de bem-estar corporativo,

Além da fusão da Boomera com a Ambipar, que passou a deter 50,1% da startup que vende soluções de logística reversa e economia circular.

“Estamos sempre buscando soluções que ainda não temos dentro de casa”, explica Tiago Silva, o CFO da Ambipar.

Líder nacional em gestão ambiental, a empresa fez 18 aquisições para ampliar o portfólio de serviços desde a abertura de capital em 2021, quando levantou R$ 1,1 bilhão.

Com presença em 17 países, a multinacional brasileira já havia comprado a Biofílica, negócio já consolidado de geração de carbono via reflorestamento em áreas degradadas.

Já a Vitalk foi incorporada à Gympass, em uma transação que envolveu duas startups em diferentes estágios de desenvolvimento e escala.

Em março de 2020, o distanciamento social imposto pela novo coronavírus foi um teste de fogo para o modelo de negócio da Gympass focado na oferta de pacotes fitness para empresas por meio de 53 mil academias associadas.

Um ano antes, a startup fundada por três brasileiros havia se tornado um unicórnio, categoria daquelas avaliadas acima de US$ 1 bilhão, após uma rodada de investimentos de US$ 300 milhões.

Assim como em outros segmentos, a pandemia forçou a indústria fitness a se reinventar. Em duas semanas, com a agilidade e a capacidade de inovação tão incensadas das startups, a Gympass lançava uma solução 100% digital.

Correndo em outra raia e também tendo a tecnologia como aliada, a Vitalk já estava pronta para ganhar escala com a entrada em cena da telemedicina, regulamentada a toque de caixa com a chegada da pandemia no país.

“O nosso modelo de negócio ancorado em um aplicativo de saúde mental ganhou tração na crise sanitária. Crescemos 400% em dois anos”, afirma Michael Kapps, 33, russo graduado em Harvard que escolheu o Brasil para criar um negócio de impacto social.

Finalista do Empreendedor Social de Futuro em 2016 com a TNH Health, que apostava no SMS para garantir acesso à saúde, modelo que evoluiu com o lançamento de um app que ajuda a lidar com burnout, estresse e depressão por meio de robôs, os chatbots.

“Os usuários gostaram da nossa ferramenta autoguiada, com os mesmos princípios da terapia com humanos, mas digital e acessível”, explica o economista.

Com a oferta de uma solução mais barata para empresas, a Vitalk chegou a uma carteira de 80 clientes e 250 mil pessoas atendidas.

Com aulas de ginástica ao vivo e ampliando seu olhar para nutrição, saúde mental e bem-estar, a Gympass também crescia exponencialmente.

Em 2021, com sede em Nova York e presença em dez países, participou de nova rodada de investimento, atraindo US$ 220 milhões. Dobrou de valor e já estava avaliada em US$ 2,2 bilhões.

É quando a Gympass resolve lançar a Wellz, uma plataforma de saúde mental e emocional, e a Vitalk entra no radar da concorrente. Em outubro de 2021, desperta a atenção ao receber aporte de R$ 24 milhões da Vox Capital, fundo de impacto social.

“Investimos para fazer o negócio crescer ao ver uma oportunidade na falta de acesso a serviços de saúde mental”, diz Marcos Olmos, sócio da Vox.

Em seis meses a aposta mostrou-se mais que certeira com a venda da Vitalk por um valor não divulgado pelas partes, mas estimado em torno de R$ 100 milhões.

A Gympass capitaneou um pool de investidores, formado por Goodwater Capital, Valor Capital, o Family-office da família Moll, dona da Rede D’Or, e a Greenrock.

“É uma aquisição que faz parte de uma narrativa maior e tem a ver com a maturação do ecossistema de inovação no Brasil nos últimos dez anos”, afirma Michael Nicklas, sócio do Valor Capital, investidor no estágio semente tanto na Gympass quanto na Vitalk.

“A tendência é de startups virarem plataformas e comprarem players menores, quando estão capitalizadas e buscando novos produtos”, diz o investidor.

No caso da Gympass, explica Rogério Hirose, VP de Novos Negócios, a aquisição se insere numa estratégica global de crescimento. “É uma startup em estágio avançado adquirindo outra para montar um time forte e escalar o negócio.”

O casamento da Boomera com a Ambipar também segue a mesma lógica de ganho de escala e complementariedade.

“Brinco que criamos um novo modelo de petroquímica. A Ambipar tem acesso à matéria-prima e a nós, à tecnologia de transformação de sucata em novos produtos”, diz Guilherme Brammer Jr., 45, vencedor do Empreendedor Social 2019, com uma “greentech” apoiada no tripé reciclagem, ciência e inclusão social de catadores.

Brammer vai apresentar seu case de sucesso em Davos, no encontro anual do Fórum Econômico Mundial, de 21 a 25 de maio, como parte da delegação dos inovadores sociais convidados da Fundação Schwab.

“Tivemos um crescimento superagressivo na pandemia. A economia circular começou a ter demanda e ganhou força nesse contexto ESG”, diz Brammer.

De 2019 para 2020, a Boomera dobrou de tamanho, mas era preciso reforço de caixa para continuar crescendo. “É a dor de toda startup não conseguir dar novo salto caso não receba uma injeção forte de capital”, diz o empreendedor social.

Ele faz projeções otimistas diante da entrada do sócio de peso. “Foi um casamento muito bom. Vamos mais do que triplicar o nosso tamanho no curto prazo.”

A startup vai “voar turbinada”, como diz seu fundador e agora sócio minoritário, nas asas de uma gigante do setor, que tem registrado um crescimento de dois dígitos por ano.

“Nosso crescimento anual acelerado pelas aquisições tem sido acima de 10%”, afirma o, CFO da Ambipar, que faturou R$ 783 milhões, no quarto trimestre de 2021.

Para Plínio Ribeiro, cofundador e CEO da Biofílica, a nova sociedade tem o potencial de no mínimo quintuplicar a área de projetos e gerar 10 milhões de toneladas de crédito de carbono por ano.

Com a tonelada cotada a US$ 15, a projeção de faturamento chegaria aos US$ 150 milhões anuais. “Estamos preparados, com um modelo de negócio maduro”, diz Ribeiro, administrador com mestrado em Columbia, e precursor nesse mercado.

O valor da aquisição não foi divulgado, mas é negócio de gente grande.

“Não compramos florestas. Fazemos projetos customizados e contratos de longo prazo, de 20, 30 anos, com donos de terras para a gestão de áreas para que não sejam desmatadas”, explica ele, sobre a experiência de gerir 1,5 milhão de hectares na Amazônia.

Desenvolvedor de projetos de carbono, a Biofílica já havia passado por duas rodadas de investimento, antes da fusão.

Sócio minoritário da Biofílica desde o nascedouro e cofundador do Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê), Cláudio Pádua se uniu a grandes empresários em 2012, entre eles Guilherme Leal, da Natura, e Juscelino Martins, do grupo Martins.

A aposta era que soluções baseadas na natureza só tendiam a ter cada vez mais apelo no mercado.

“Depois do Acordo de Paris, era certo que este mercado ia voar”, diz Pádua, vencedor do Prêmio Empreendedor Social em 2009, ao falar do sonho de chegar a 5 milhões de hectares protegidos na Amazônia.

“Construímos uma empresa do século 22, como deveriam ser todas”, diz ele, sobre um plano de negócio mais do que bem-sucedido e desenhado há uma década.

“Com capitalização, a Biofílica pode dar um salto para ganhar o mercado internacional e entrar na parada para valer nessa indústria de crédito de carbono.”

A chegada dos novos sócios também oxigena a Ambipar, empresa que tem 27 anos e foi criada por um ex-motorista de caminhão que fazia economia circular antes mesmo de o conceito existir.

“Estamos bem posicionados e com um portfólio de serviços que vai desde gestão total de resíduos, ao pós-consumo e crédito de carbono”, diz o executivo da Ambipar, lembrando que o gás carbônico é um resíduo transparente. E um dos vilões do aquecimento global.

Um posicionamento que ganhou reforço fashion, com o anúncio de que Gisele Bündchen se tornou acionista da multinacional brasileira e passou a integrar o comitê de sustentabilidade da companhia, em julho do ano passado.

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