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‘The Thing about Pam’: Renée Zellweger é vilã em série – 02/06/2022 – Luciana Coelho

A espetacularização de julgamentos é a tal ponto um cânone americano que, mesmo após o veredicto em mãos, ela se perpetua por meio de livros, filmes, séries. Vide o caso que teve seu desfecho nesta semana, Johnny Depp versus Amber Heard, e aguarde pelas produções que dele surgirão.

Enquanto isso não acontece, o espectador pode acompanhar a versão ficcionalizada de outro caso de tintas burlescas avidamente explorado pela TV no início da década passada, este com anônimos: o assassinato de Betsy Faria, uma funcionária de seguradora de meia-idade, dois dias após o Natal de 2011, em uma cidadezinha do Missouri.

Russ, o marido de Betsy, foi condenado pelo crime em 2013 e exonerado dois anos depois. Após novas investigações, Pamela Hupp, a amiga mais próxima da vítima, foi denunciada, mas este julgamento ainda não aconteceu. Dizer mais traria spoilers.

É sobre a nova ré que versa “The Thing about Pam” (algo como o negócio com a Pam), minissérie da americana NBC que chegou ao Brasil em maio na Star+. Antes da versão televisiva, a história já havia sido explorada em um podcast e em incontáveis horas do programa policialesco Dateline.

Renée Zellweger, que também produziu os seis episódios, ficou com o papel principal e imprimiu a ele um tom de vilã novelesca, com uma nota que estranhamente ecoa sua Bridget Jones —desta vez, porém, os quilos extras provêm da maquiagem, já que a atriz preferiu não engordar pela personagem.

Há certa comicidade involuntária em sua atuação, embora a Pam real, pelas imagens de TV, também evocasse essa estridência fora de lugar. Ou seria a edição do Dateline?

“The Thing about Pam” não é nem quer ser TV de alta qualidade, e sim um produto de consumo rápido. Não obstante, o roteirista-chefe, Travis Sentell, e os diretores conseguiram conjurar o mesmo tom sensacionalista e carregado que domina o noticiário do tipo, o que faz da minissérie uma espécie de prazer culpado, aquele mesmo que sentimos ao sermos hipnotizados por horas de relatos escabrosos sobre crimes alheios e pelo jogo de cena construído à sua volta.

Com o impulso dos podcasts, cuja força ressurgiu exatamente de uma história de true crime, “Serial”, o subgênero ganhou fôlego nos últimos anos. Muitas dessas produções têm se calcado em trambiqueiros dissimulados (ou dissimuladas), e neste sentido “The Thing about Pam” não foge à regra.

Hupp era a própria cidadã de bem, com um emprego respeitado, uma família modelo, serviços prestados à comunidade e uma disposição imensa em ajudar os amigos, inclusive Betsy, que se tratava de um câncer de mama.

Ao erodir essa fachada episódio após episódio, a minissérie tropeça em clichês e pesa as tintas, sem que isso a torne menos interessante. Afinal, como o espetáculo da semana provou, é desgraçadamente difícil desgrudar a atenção de tantos detalhes sórdidos sobre a vida alheia.

Os seis episódios de “The Thing about Pam” estão disponíveis na Star+


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