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Todo o conhecimento do mundo – 15/04/2022 – Rodrigo Zeidan

Manter a mente aberta. Misturar ceticismo com deslumbramento. Absorver tudo que for possível sobre todos os assuntos.

Viver em 2022 é difícil sob muitos aspectos, ainda mais com um governo negacionista no poder, mas nada vai mudar o fato de que nunca foi tão fácil aprender. Enquanto alguém tiver curiosidade intelectual, a vida sempre vai valer a pena.

Os livros de ficção científica mentiram para nós. Não temos carros que voam nem podemos ir para Marte passear em um fim de semana. Mas temos algo muito melhor: temos todo o conhecimento do mundo na palma das nossas mãos, para usarmos como quiser. Vivemos na era da abundância da informação.

Estudos históricos sobre clássicos gregos? Está na internet. Poesia africana da década de 1950? Também. Vídeos com análises de cada grande artista de quadrinhos dos últimos cem anos? Séries sobre bebês japoneses que vão fazer compras sozinhos? Há uma explosão de informação que deveria nos deixar extasiados por poder aprender sobre tudo que quisermos, no nível de detalhe que desejarmos. E fica melhor. Podemos consumir conteúdos escritos, narrados, dramatizados e até criados automaticamente por inteligências artificiais.

Hoje, a velocidade da difusão de conhecimento é impressionante. Por exemplo, se eu quiser sanar uma dúvida sobre métodos de econometria, basta fazer uma pergunta para um dos pesquisadores do assunto no Twitter e quase imediatamente terei as referências certas para estudar os tópicos de que preciso. Antes, dominar um assunto, mesmo que sem profundidade de um pesquisador, requeria um esforço monstruoso em tempo e dinheiro. Hoje, para qualquer nível de aprofundamento que se queira, há infinitas opções. Paradoxalmente, o problema é filtrar o excesso de informações, já que o que não falta são sites e vídeos com produções canhestras.

Cumulonimbus calvus, capillatus e incus. Nunca vou me esquecer de ter oito anos e pegar volumes da “Enciclopédia Mirador Internacional” para ler os verbetes em sequência. Com a ingenuidade das crianças, achava que daria para memorizar todo o conhecimento resumidos nas milhares de páginas daqueles volumes.

Viver no passado era viver na escuridão. As experiências intelectuais, mesmo dos mais geniais escritores e pesquisadores, era moldada pelos poucos tomos disponíveis a que eles tinham acesso. Quando Isaac Newton morreu, ele tinha uma biblioteca gigantesca para a época, de cerca de 1.700 volumes. Mas a maior parte da sua ciência teve que ser feita quase do zero, pois ele não tinha acesso a quase nenhum conhecimento de fronteira, pela demora da difusão do conhecimento no século 17.

Poucos encaram um domingo à tarde como uma chance prazerosa de entrar em um turbilhão de informações sobre algum assunto específico. Passar horas aprendendo sobre armaduras medievais? Arte chinesa da dinastia Song? Aulas de finanças corporativas ou clássicos jogos dos Detroit Pistons da década de 1980? Não, muita gente prefere ir para a internet entrar em tretas sem sentido ou consumindo informações cheias de viés da confirmação.

Meu objetivo com esse artigo não é gerar culpa. Nem ansiedade. Também não é dar lições de moral. É só um convite. Temos, a alguns cliques de distância, praticamente todo o conhecimento explícito gerado pela humanidade. Paro por aqui, pois é hora de ouvir sobre Vijayanagara, os últimos imperadores do sul da Índia. Vamos?


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