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Twitter é bom para falar de TV, mas precisa combater robôs – 13/04/2022 – Maurício Stycer

Para quem gosta de televisão, o Twitter é a melhor rede social que existe. Diferentemente da política, que frequentemente torna as conversas intragáveis, comentar sobre a programação de TV ainda é uma grande diversão.

Pós-graduado em televisão desde a infância, o brasileiro encontrou no Twitter o lugar em que pode demonstrar todos os seus conhecimentos. E faz isso sem freios, dando palpites sobre qualquer programa. Das atrações matinais às da madrugada, há sempre fãs e haters prontos para boas conversas, discussões, bate-bocas e polêmicas.

Gente da própria TV eventualmente aparece no Twitter para dizer algumas palavras, pesquisadores da história da TV divulgam seus achados, canais promovem suas atrações e muita gente séria troca informações relevantes sobre este universo.

Quando a grade da TV aberta ainda determinava os horários em que o público deveria assistir aos programas, o Twitter emulava, na prática, uma sala de estar. As pessoas viam juntas, realmente, as principais atrações do dia.

O ápice desta experiência coletiva talvez tenha ocorrido em 2012, à época de “Avenida Brasil”. Quando começava um capítulo, centenas de pessoas escreviam ao mesmo tempo “oi oi oi”, tirado do refrão da música de abertura, avisando que estavam a postos para assistir à novela.

As plataformas de streaming e as versões online dos canais de TV na internet permitem ao espectador assistir aos seus programas preferidos em qualquer horário. Isso provoca uma dispersão que afeta o que havia de mais original no uso do Twitter.

Uma pesquisa recente mostra que cresce a cada ano a proporção de conteúdo inédito, produzido pelas maiores empresas nos Estados Unidos, lançado diretamente nas plataformas de streaming, antes da velha e boa TV. Segundo os dados divulgados pela Ampere Analysis, este índice já está entre 40% e 50% das produções originais de Disney, Discovery e WarnerMedia, entre outros.

Ainda assim, muita gente no Twitter permanece conectada à grade da TV aberta, oferecendo diversão com comentários sobre notícias, gafes de apresentadores, boas e péssimas cenas de novelas.

Para quem, como eu, escreve sobre televisão, o Twitter é um parque de diversões. Tem montanha russa, carrinho bate-bate, trem fantasma, casa de espelhos e tiro ao alvo. Provoca muitos sustos, mas não machuca.

Desde as primeiras pancadas que levei, em 2008, entendi que não diziam respeito a mim. Eram ataques de pessoas anônimas, ofendendo a figura que eu represento, mas que não fazem ideia de quem eu sou. Com esta capa de proteção, e a ferramenta que permite bloquear usuários indesejados, sigo ignorando todo tipo de grosseria.

É lamentável, porém, que o Twitter não aja com atenção, agilidade e rigor para combater usuários protegidos pelo anonimato, ou robôs, que agem induzidos por terceiros. Essa tibieza da empresa contribui para transformar a rede social num ambiente inóspito.

O assédio sofrido por jornalistas no Twitter foi um dos motivos que levaram o New York Times a recomendar aos profissionais do jornal que usem a ferramenta com moderação ou, ainda melhor, a abandonem. O editor-executivo do jornal, Dean Baquet, considera que o Twitter ocupa tempo demais dos jornalistas e distorce a forma como eles encaram o trabalho.

Entendo, mas discordo dessa decisão. Além de dar ao Twitter uma importância maior do que ele tem, não leva em consideração que muitos jornalistas mantêm uma relação saudável com a rede social e entendem a ferramenta não apenas como uma extensão do trabalho, mas também como uma forma de expressão pessoal.


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